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Vítor Costa: Há hotéis em Lisboa reservados a 100% para a Champions

Vítor Costa, presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa e diretor-geral da Associação Turismo de Lisboa. (Fotografia: Natacha Cardoso/ Global Imagens)
Vítor Costa, presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa e diretor-geral da Associação Turismo de Lisboa. (Fotografia: Natacha Cardoso/ Global Imagens)

Presidente do Turismo de Lisboa revela que competição pode ser fundamental para trazer confiança e alguma retoma desde já.

“Foi uma grande notícia neste momento, a melhor que tivemos depois de três meses de más notícias.” É assim que Vítor Costa, presidente da Associação de Turismo de Lisboa (ATL), resume em entrevista ao Dinheiro Vivo a decisão hoje conhecida de realizar os jogos finais da Liga dos Campeões na capital portuguesa, depois de a Turquia ter desistido do evento.

“Não vai salvar o verão, que será fraco por comparação com anos anteriores, mas será determinante para iniciar a retoma depois de uma paragem de três meses na atividade turística”, completa o responsável, destacando o impacto na confiança, que “permite antever um agosto positivo, mesmo sem que a pandemia esteja ultrapassada (o que só acontecerá com vacina ou tratamento)”.

Há seis anos, a final entre Real e Atlético de Madrid gerou um impacto económico superior a 45 milhões para a cidade. Agora sem público – mas ainda assim capaz de arrastar bom número de fãs – e sujeito a outras restrições justificadas pela pandemia, deverá ainda assim ter um impacto que pode chegar a metade daquele valor, entre dormidas, restauração, serviços, empresas locais, apoio, etc. E sem custos que não as adaptações a que a covid obriga, porque os estádios do Benfica (meia-final e final) e do Sporting (meia-final), do Guimarães e do Porto (os jogos em falta nesta fase) já têm as condições exigidas e as despesas de organização ficam a cargo da UEFA (leia mais aqui).

12 dias e hotéis reservados na totalidade

Se o próprio evento movimenta muita gente – entre equipas, técnicos, árbitros, organização, jornalistas, etc. -, há já hotéis que o Turismo de Lisboa tinha indicação de que tinham optado por manter-se fechados neste verão e agora vão abrir de propósito para a Champions. “Há mesmo um hotel – que não posso revelar qual é por razões de confidencialidade – que vai abrir nesse período porque teve uma reserva de 100% da ocupação”, confidencia Vítor Costa.

Para o responsável, não podia haver melhor evento do que este no momento em que se comepça a tentar desenhar a retoma do setor turístico. “Pelo impacto que o futebol tem em termos mundiais, movimenta milhões de pessoas e milhões de euros e esta oportunidade, que chega num momento determinante, foi muito bem aproveitada. Porque estávamos no zero” Números hoje revelados apontam, de facto, para uma quebra inédita de 97% no turismo do país (leia mais aqui).

Para o resto do ano, o responsável está moderadamente otimista no efeito que a retoma das ligações aéreas que pode ter, trazendo alguma dinâmica de recuperação. “Estamos a navegar à vista, mas uma coisa são 97% de quebra, outra são 50%. E a Champions pode ter um efeito acelerador da retoma desde já: os jogos são só em agosto, mas a decisão soube-se agora e poderá produzir efeitos de confiança fundamentais para trazer turistas.” Agora, é hora de “organizar esses dias com grande articulação entre todas as entidades com a eficácia que temos dado provas”, desde a Web Summit à final espanhola de há seis anos.

Confiança é essencial, eventos vão demorar

Essa é, para Vítor Costa, a principal questão: “A confiança é o fator determinante para relançar o turismo na cidade e no país, para o reconhecimento de Lisboa uma vez mais como excelente hipótese na organização, dá-nos uma projeção internacional fundamental.”

Os números que espera alcançar, não avança – “precisamos de saber quantos participantes virão para poder quantificar o efeito” -, mas atreve-se a falar em milhares de pessoas nestes 12 dias de Liga dos Campeões, com um efeito conjugado de milhares de dormidas e boost no consumo, no comércio, etc.

E até acredita que por essa altura já será possível que quem venha a Lisboa possa ir beber um copo e dançar. “A situação do setor dos bares e discotecas é dramática”, assume, depois de a própria associação de bares e discotecas ter revelado perdas de 300 milhões por mês de encerramento, mas o responsável do turismo da capital espera que essa questão “já esteja resolvida no verão”. “Temos de entender que o governo está a tentar resolver um problema, mas é muito complicado para o setor manter-se sem funcionar”, sublinha Vítor Costa, que admite que “muitas empresas que vão ficar pelo caminho apesar do esforço de apoio que tem sido feito”. “Porque eventualmente terão de voltar a pagar contas e nem todas terão estrutura para isso… Os problemas mais graves vão pôr-se mais à frente e por isso é fundamental haver medidas mais profundas para sustentar o tecido económico, que ainda mal recuperou da crise anterior”, lembra.

Quanto ao futuro, acredita que Lisboa sairá a ganhar, até porque “as pessoas não vão querer passar grandes temporadas fora e longe”. “Enquanto city break, podemos sair valorizados.”

Reconhecendo ainda que, dentro do turismo, os eventos têm sido particularmente penalizados, Vítor Costa antecipa um regresso mais lento nesse segmento, já que implica grandes ajuntamentos. “Essa parte vai demorar mais e acredito que parte nem regresse – aquele segmento de viagens semanais vai desaparecer”, prevê. “Mas eventualmente os congressos e o corporate (os congressos médicos, as viagens de incentivos, as oportunidades de networking) serão retomados a prazo, porque essa parte é insubstituível.”

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