Manuel Falcão

Para onde olhamos? Como ouvimos? Como lemos?

Se olharmos para as nossas rotinas diárias e fizermos um exercício de memória recuando por exemplo há cinco anos, encontraremos algumas diferenças significativas e algumas certezas constantes. A certeza constante, que aliás a pandemia e o confinamento reforçaram, é um aumento da procura de informação - não só sobre a evolução da doença no país e no mundo, mas também sobre grandes momentos que moldaram os últimos tempos: a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa, as presidenciais norte-americanas com a vitória de Biden sobre Trump e as dificuldades da Europa, a começar pelo brexit.

Como estragar uma boa ideia

A ideia de as comemorações do 25 de abril começarem no primeiro dia em que a democracia ultrapassa a duração da ditadura, é boa. Tem um significado. Bem como é uma boa ideia durarem para lá de 25 de abril de 2024, para assinalarem a importância das primeiras eleições democráticas e a aprovação da Constituição. Faz sentido. Isto porque pensar que o nosso regime democrático é um dado adquirido, certo e perpétuo é um erro. O sentimento e o gosto pela Liberdade é algo que se educa e que tem que ser cuidado. Mas aqui chegados, o governo decide estragar tudo. Uma arte na qual o governo se tem mostrado mestre! Basta ler a Resolução do Conselho de Ministros n.o 70/2021 para ter um retrato daquilo que tem precisamente minado e enfraquecido a nossa democracia, que leva muitos a questionar este regime e os seus compadrios. Que põe em causa os partidos políticos e que leva as pessoas a ficarem fartas.