Vodafone 5G

5G “é uma enorme oportunidade para um país com as características de Portugal”

Mário Vaz CEO da Vodafone

Mário Vaz, CEO da Vodafone, explica porque é que considera que o 5G trará mudanças significativas à economia e sociedade portuguesas

O 5G está a meses de ser lançado em Portugal e chegará já com o lastro de experiências internacionais a indicar o caminho. Na terceira edição da Vodafone Business Conference, que este ano se centrou na nova geração sob o tema “A Próxima Revolução Tecnológica”, os oradores trouxeram ao palco da Fundação Champalimaud exemplos concretos do que está a ser feito na Europa. O CEO da Vodafone Portugal, Mário Vaz, realça que o potencial da nova rede já saiu do papel e que o país poderá olhar para o seu atraso no lançamento como uma oportunidade, considerando que tem condições fortes para o sucesso.

Porque escolheram o 5G para a terceira edição da Vodafone Business Conference?

Do ponto de vista de oportunidade, estamos no momento de pré-lançamento. O 5G vai ser uma realidade finalmente em Portugal, expectável seguir ao verão, como já acontece noutros mercados. Portugal está ligeiramente atrasado nessa área, temos de recuperar o tempo perdido – vamos olhar como uma oportunidade e acelerar. Por isso, era fundamental falarmos um pouco sobre o 5G porque está na altura, como já tínhamos dito quando lançámos o 5G Hub, a necessidade em particular para o mercado empresarial. Porque nesta primeira fase, os use cases e o potencial do 5G está muito centrado na economia, nas indústrias, na área da saúde, logística, transportes.

Qual a mensagem que quiseram passar?

Era importante convidar os nossos clientes, parceiros, potenciais clientes para este momento de reflexão. Ver, com base em use cases que já existem noutros mercados – não é apenas powerpoint, não estamos a falar de um sonho, estamos a falar de uma realidade que já está a acontecer. Na economia portuguesa, os empresários portugueses, os investigadores, os inovadores, será em cocriação, que é a palavra-chave para o 5G. Temos todos de, em conjunto, descobrir o que é novo e retirar o potencial das características do 5G. A tecnologia per se não resolve nada se não a aplicarmos a casos práticos. O 5G diferencia-se pela velocidade acrescida que traz, pela capacidade de ligar mais coisas, mas acima de tudo a vertente da latência cria novas oportunidades de negócio, com resultado na qualidade de vida das pessoas. Vimos aqui em vários casos que já está a acontecer, seja em Itália, seja no Reino Unido, na Alemanha, e no caso do universo Vodafone são 7 países onde o 5G já está em versão comercial e há muitos use cases a acontecer.

Essa cocriação com as empresas vai significar em Portugal uma mudança da forma como as coisas são feitas?

Penso que não será só em Portugal. Esta questão da cocriação é algo que é transformador em todo o lado. O modelos económicos do passado, em que nos fechávamos em nós próprios, víamos o nosso problema e resolvíamos o nosso problema hoje isso não é suficiente. Aquilo que fazemos depende muito de terceiros, a resolução de um problema de alguém tem que envolver muitas entidades e é preciso esquecermos o que nos separa do ponto de vista de atuação final no mercado e em conjunto irmos à procura da solução, criar escala e a partir daí tirar o máximo de valor possível.

É um investimento grande, não só para os operadores mas também para os clientes.

É. A transformação digital implica investimento, e acelerado, porque uma das características do momento digital em que vivemos é que tudo acontece a uma velocidade muito expressiva. Não há fronteiras para aquilo que se é capaz de fazer, não há limitações no que diz respeito à dimensão de um país. Tem muito mais a ver com a disponibilidade tecnológica, com o know-how e com esta capacidade de trabalhar em conjunto. Por isso é que é uma enorme oportunidade para um país com as características de Portugal.

Que características são essas?

Temos know-how do ponto de vista humano, aliás o nosso próprio histórico, não só nas telecomunicações mas nas tecnologias como um todo, Portugal tem dado muito boas provas nessa área. O facto de sermos pequenos é uma oportunidade, porque muito do que está a acontecer, por ser novo, passa por testar e errar e naturalmente há mais abertura a testar e errar em mercados de menor dimensão do que grande. Depois, porque nos habituámos sempre, pela nossa dimensão, a ser mais abertos e a trabalhar com outros. Para isso, estou convencido que quer os investigadores quer os empresários estão abertos a esse trabalho coletivo, a essa cocriação. Portugal tem boas condições para que tenhamos sucesso nessa área.

Não é preciso primeiro ter uma maturação do processo de transformação digital, que ainda não chegou a muitas empresas?

É como qualquer transformação e revolução, é preciso. E esta que envolve dados, tecnologia, pessoas, é muita coisa ao mesmo tempo que tem que se alterar e coexistir num mesmo objetivo, por isso demora o seu tempo. Na questão da saúde, a tecnologia, vimo-lo aqui, já permite fazer muitas das coisas. Mas, em cima disto, depois há questões como os dados, que na área da saúde é muito fechada ainda a disponibilização da informação para fora do seu próprio universo, por razões que se prendem por privacidade mas também por conceitos económicos do passado. De que eu sou o dono da informação e a não a devo partilhar. Hoje sabemos que juntar e ter muita informação partilhada é importante para resolver os nossos próprios problemas.

Mas a saúde vai ter que disponibilizar essa informação, numa terminologia mais técnica tem que abrir API que sejam acessíveis a terceiros para trabalhar essa informação e criar modelos que depois potenciem o modelo de negócio da saúde propriamente dita. Esta adaptação, que nalguns casos é regulatória, noutros é de mentalidade, é natural num momento de transformação. Temos que o fazer e Portugal se quiser ser ganhador nesta área é fazê-lo em grande velocidade. Temos que apostar, não ter medo de cometer alguns erros, numa dimensão que seja comportável do ponto de vista de risco financeiro, mas que ultrapassado esse risco de tanto se testar se chegue a uma solução que depois é escalável e exportável.

A Vodafone tem um acordo de partilha de infraestrutura com a NOS, pensa que isso irá acelerar a cobertura do território nacional?

Esse é um dos objetivos. O 5G traz novos desafios, traz novos investimentos. Ouvimos aqui vários números do potencial do ponto de vista da valorização económica, mas não é o 5G, é o que o 5G potencia para a economia. Do ponto de vista dos operadores, o investimento feito em 5G não terá necessariamente uma proporcionalidade do ponto de vista de benefício económico. Traz é inevitabilidade: para termos o benefício que temos hoje, precisamos do 5G. Pelas suas próprias características pode exigir não só o investimento em equipamentos mas também densificação de cobertura. Isso faz-se melhor, como sempre defendemos nas infraestruturas, somos um bom exemplo disso, com acordos de partilha. Nesta área estamos a trabalhar para tentar concluir a expansão de um acordo que já existe hoje com a NOS de expandir para acelerar com mais eficiência, velocidade e benefício para o país, fazê-lo em coinvestimento.

A Ericsson falou de 4 mil milhões de dólares de benefício para a economia portuguesa em 2030. Apesar do atraso, e tendo em conta a ambição da estratégia 5G do governo, pensa que isso se concretizará?

Não sou capaz de quantificar, mas não temos dúvidas nenhumas que o 5G tem um enorme potencial para o desenvolvimento da economia. Uma coisa sabemos: se não apostarmos no 5G, se não colocarmos o 5G em benefício da economia e dos portugueses no geral, vamos ter uma economia pior do que temos hoje. Isso é uma verdade indiscutível.

Não é hábito nesta área nós estarmos atrasados, temos estado sempre na primeira linha. É recuperável, acho que com o nosso histórico e a qualidade dos nossos recursos temos toda a capacidade de recuperar. E agora que é inevitável, olhemos como uma oportunidade. Quando cá chegar, algures no verão, a tecnologia estará um pouco mais evoluída do que estava há um ano e até há mais equipamentos disponíveis e use cases que já estão a acontecer noutros mercados. Podemos aproveitar o que já foi feito e acrescentar novas fatias de inovação e adaptação à realidade do nosso mercado.

A Vodafone tem esses exemplos dentro do grupo, também os poderá usar?

Sim, os tais 7 países que já têm 5G. Vimos aqui o caso italiano, um caso emblemático onde o governo apoiou desde a primeira hora os operadores e todo o ecossistema, quer académico quer empresarial, para desenvolver casos que potenciem aquilo que são as características únicas do 5G.

De tudo o que foi falado da conferência, o que gostaria de destacar?

É a conferência no seu todo que destaco, pelos exemplos que foram dados e acima de tudo porque documentam uma realidade, algo que já está a acontecer. O potencial do 5G existe, é concretizável e tem valor. Tem valor do ponto de vista ambiental, do ponto de vista de qualidade de vida e da economia como um todo. É difícil realçar apenas um aspeto. Foi com satisfação que vi que os participantes estavam a pensar sobre o 5G e sobre as oportunidades e potencial. Esse era o grande objetivo e penso que o conseguimos.

Que feedback recebeu?

O feedback tem sido muito positivo, com empresas a pensar no amanhã, como é que podem tirar partido do 5G, como é que podem repensar o seu modelo de negócio. Ou dentro do seu modelo de negócio o que é que podem eliminar de desperdício, de processos mais ineficientes a partir do 5G. Esse era o objetivo, por-nos todos a pensar e a falar uns com os outros para chegarmos a um resultado positivo.

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