Vodafone IA

Como a inteligência artificial vai impulsionar o 5G

Pedro Santos, Vodafone

Há uma simbiose clara entre IA e 5G, embora as duas tecnologias não estejam diretamente relacionadas

A próxima geração móvel está ao virar da esquina e a inteligência artificial vai impulsionar a sua chegada. É verdade que as duas tecnologias não estão diretamente relacionadas, mas “ambas são catalisadoras de inovação”, afirma o responsável pelo hub 5G da Vodafone Portugal, Pedro Santos, e haverá várias sinergias entre elas.

“Os algoritmos de inteligência artificial estão a surgir, na sua vertente mais de software, como forma de auxiliar as equipas de engenharia e os operadores a desenharem redes 5G mais eficientes”, explica o responsável. Por se tratar de uma rede nova que vai endereçar problemas mais complexos do que as tecnologias anteriores, o desenho de 5G beneficiará da introdução de inteligência artificial. Como? Pedro Santos explica: a IA permitirá prever como é que os clientes se deslocam na rede e onde e a que horas fazem mais tráfego. Através de machine learning, a rede poderá ajustar os parâmetros, a configuração e a capacidade automaticamente. Por exemplo, poderá concentrar mais capacidade numa zona habitacional durante a manhã e depois desviar-se para uma zona de serviços ou lojas, regressando à zona habitacional no fim do dia. “Esta dinâmica só é possível com inteligência artificial e machine learning, que é uma sub-área da IA”, indica Pedro Santos. “Neste caso, o 5G irá beneficiar de algoritmos e de funcionalidades da inteligência artificial.”

Este é o conceito de SON – Self-organizing network, em que uma suite de algoritmos permite o ajuste constante e automático das configurações e funcionalidades da rede. “A forma clássica é uma equipa de engenharia que tem um conjunto de estações que estão numa zona urbana e configura-as em função do perfil tipicamente usado naquela zona”, compara Pedro Santos. “Um estádio e uma zona rural têm configurações diferentes, mas de certa forma são estáticas ao longo do tempo.” Isto explica que, num dia de estádio cheio, a rede pareça “entupida” e seja mais difícil ter cobertura e velocidade de transmissão de dados.

Com a IA, se houver um concerto numa zona remota e uma afluência de utilizadores com um perfil de tráfego completamente diferente das pessoas que lá moram, a rede vai-se ajustar para permitir melhor serviço. Para os consumidores, isto significa maior fiabilidade de comunicações e dados em qualquer lugar, independentemente da saturação de utilizadores.

Para o operador, além de maior eficiência do serviço, há vantagens em termos de custos.

“Combinando isto com algoritmos de inteligência artificial que conseguem dinamicamente colocar a capacidade onde ela é necessária e deixar de a usar onde não é, torna ainda muito mais racional o investimento por parte do operador.”

O outro lado da moeda

Não é só a IA que irá beneficiar o desenho das redes 5G, o advento da nova geração também abrirá a possibilidade de novos serviços, que vão beneficiar das suas características técnicas: baixa latência, alta fiabilidade e suporte de milhões de ligações.

“Em várias áreas, como a medicina, a indústria automóvel e a indústria na vertente de unidade fabril, estão a perceber que estas três características poderão resolver algumas dores de negócio”, indica o responsável.

Na saúde, os benefícios são vários. Por um lado, há a questão da esterilização que é feita antes das cirurgias: um dos grandes riscos de saúde pública tem a ver com as bactérias em ambiente hospitalar que se alojam nos cabos das máquinas necessárias à cirurgia. “Surgindo uma tecnologia que permita que os equipamentos não usem cabos, de todo, resolve-se este problema que parece tão longe das telecomunicações mas que está tão perto de uma necessidade da área da saúde”, resume Pedro Santos. “Se aqueles equipamentos puderem estar conectados dentro daquela sala em 5G, porque tem largura de banda e o tempo real suficiente para estarem ligados e a fiabilidade, endereça-se este problema.”

Aqui entra a “altíssima fiabilidade”, que é crítica para poder assentar serviços complexos na rede. “Só é possível colocar uma cirurgia em cima de 5G se a fiabilidade for máxima”, exemplifica. “Se a meio da cirurgia a ligação acabar, percebe-se que o desfecho é trágico. Espera-se que o 5G enderece esta questão da fiabilidade.”

A baixa latência, que tem a ver com o quão instantânea é a rede para trocar informação, será essencial na condução autónoma – se dois carros estiverem a negociar num cruzamento, é vital que a informação seja trocada em tempo real.

O terceiro pilar, relacionado com o suporte de milhões de dispositivos e ligado à Internet das Coisas (IoT), tem vantagens sobre o Narrowband IoT que já existe no 4G por causa da diferença no número de dispositivos que a rede suporta. “O 5G está desenhado para que vários milhões de dispositivos possam estar simultaneamente ligados sem que haja quebra de serviço para os restantes clientes.”

Isto gerará volumes inéditos de dados e a IA será importante para os processar. “Quando tivermos todos os objetos conectados, a informação que é gerada por esses objetos, para ser tratada e usada de forma prática, será muito melhor com IA”, afirma Pedro Santos. “Só será possível tomar decisões em tempo real com estes volumes de informação recorrendo a técnicas de inteligência artificial.” O 5G, ao disponibilizar esta informação, vai catalisar mais ações de IA. E é por isso que há uma simbiose clara entre as duas, embora não estejam diretamente relacionadas.

INSCRIÇÕES ABERTAS

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