Vodafone 5G

Como o 5G pode mudar as situações de emergência médica

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A saúde é um dos sectores que mais poderá beneficiar das características da nova geração: maior velocidade, baixa latência e mais resiliência

Entre todos os sectores que vão beneficiar do lançamento da rede móvel de nova geração, a saúde é o mais citado pelo potencial revolucionário que as soluções poderão ter. O foco, neste segmento que toca toda a gente, está no auxílio em situações de emergência médica em que a rapidez e precisão fazem toda a diferença. As características do 5G – maior velocidade, baixa latência e mais resiliência – permitirão a utilização de ferramentas com transmissão de informação em tempo real para melhorar a assistência em emergências.

“Se implicar salvar uma vida que seja já vale a pena o investimento”, afirma Carlos Pinto, técnico de formação da Cruz Vermelha, que em dezembro participou numa demonstração 5G com a Vodafone e Altran, em Cascais. O teste simulou a assistência a uma vítima que estava sozinha e inconsciente na via pública, com uma suspeita de acidente vascular cerebral. O tripulante da ambulância usou um par de óculos de realidade aumentada HoloLens (da Microsoft) para fazer o reconhecimento facial da vítima e aceder à sua ficha clínica, enviando de imediato esses dados para a unidade onde estava um médico a dar apoio ao procedimento.

“O médico estava a ter em tempo real a informação clínica daquele doente do qual não se sabia nada, estava inconsciente, sem família, sem recursos”, explicita Carlos Pinto. “Isto vai orientá-lo na ajuda que vai dar às equipas que estão no terreno com esse doente.” A informação enviada pelo médico é disponibilizada nos óculos de realidade aumentada usados pelo tripulante da ambulância em segundos.

Ou seja, a poupança de tempo e determinação imediata do melhor curso a seguir é chave em situações como enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e outras emergências, indica o técnico. “O médico tem acesso imediato ao histórico clínico de um paciente emergente, os seus antecedentes, a medicação que faz e isso vai ajudar muito, quer o médico a tomar decisões quer a orientar a equipa que está no terreno”, explica Carlos Pinto, “determinando quais os melhores meios para acorrer a essa vítima, em função da sua localização e quais as unidades de referência em termos hospitalares para onde esse doente pode ser encaminhado.”

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Pedro Santos, diretor do 5G Hub da Vodafone Portugal, explica que a necessidade de uma rede de nova geração neste caso é crítica. “Precisa de 5G porque toda a informação de vídeo, reconhecimento facial e envio de procedimentos para os óculos do enfermeiro precisa de rede rápida, em tempo real e que não falhe.” A aceleração do diagnóstico e o início dos cuidados é feita ainda na ambulância. “Quando a vítima chega ao hospital já traz uma série de medidas que lhe foram feitas. Hoje isto só começa no hospital. Pode salvar vidas”, considera Pedro Santos.

Um sistema deste tipo não depende apenas, no entanto, da disponibilidade da rede 5G, mas também da acessibilidade a bases de dados e os próprios equipamentos. Nesta ambulância, além dos óculos HoloLens, havia uma câmara de vídeo 360º 4K e um equipamento Philips de monitorização de sinais vitais integrado.

Além disso, indica Carlos Pinto, colocam-se outras questões relacionadas com a recolha de informações, proteção de dados e permissões de acesso. Mas, considera, “tem um potencial muito grande” em termos de valências no contexto de urgências pré-hospitalares.

Aliás, as bases de dados com informações de pacientes começam a ser mais frequentes em Portugal, indica o técnico da Cruz Vermelha. “Hoje, quando se faz uma inscrição num hospital da nossa rede pública de saúde, temos lá os nossos dados e aquilo tem que ter as atualizações necessárias e obviamente há ali um histórico que é construído”, diz o responsável.

Se quem está nos centros de orientação dos doentes urgentes do INEM (CODUs) tiver acesso a informação em tempo real e souber mais dados sobre aquele doente específico, não irá tomar decisões genéricas – estará a tomar decisões em função do perfil de um doente do qual já tem dados.

“A minha opinião é que tem aqui valências e grande margem de crescimento num futuro mais ou menos próximo”, considera Carlos Pinto. “A nossa capacidade de resposta, sendo relativamente rápida, às vezes não é tão rápida como gostaríamos”, indica. “Diminuir um, cinco, dez, vinte minutos a decisão de onde levar um doente urgente e o que tem, obviamente pode ser muito significativo.”

O 5G na saúde tem ainda outras aplicações, indica Pedro Santos, falando de telemedicina, sensores e monitorização de pacientes, algo que permitirá aos doentes saírem mais cedo do recobro, “porque podem estar monitorizados em tempo real em casa.”

Muito do que se está a falar aqui não é tecnologia completamente nova, só que até agora não se conseguia aplicar nestes casos. Por exemplo, a disseminação de sensores numa lógica de Internet das Coisas. “É possível agora por causa da evolução natural do custo do processamento. Assim conseguimos passar a suportar serviços críticos”, explica Pedro Santos, aludindo também ao futuro das cirurgias remotas e outros serviços de emergência. “O que vemos quando olhamos para estudos e falamos com clientes é que a área da saúde é uma das que tem maior potencial para tirar proveito destas características.”

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