Vodafone 5G

Empresas ainda “não entendem” que funcionamento do 5G vai ser diferente

Mafalda Alves Dias, diretora  de grandes contas e sector público, fotografada na sede 
da Vodafone Portugal.
Mafalda Alves Dias, diretora de grandes contas e sector público, fotografada na sede da Vodafone Portugal.

Estudo interno da Vodafone na Europa mostra que há desconhecimento em relação às características que diferenciam a nova geração

As empresas acreditam que têm bom conhecimento da nova geração móvel e as suas características diferenciadoras, mas não sabem apontar muito mais que o aumento de velocidade em relação ao 4G. Esta é uma das principais conclusões de um novo estudo interno efetuado pela Vodafone em quatro países europeus onde o 5G já foi lançado comercialmente: Reino Unido, Itália, Espanha e Alemanha.

Segundo explicou ao Dinheiro Vivo Mafalda Alves Dias, diretora de grandes contas da Vodafone Portugal, o estudo foi feito junto de empresas de várias dimensões (10 a 2500 empregados) nos verticais da indústria produtiva, energia, transportes e logística e retalho, incluindo mais de mil entrevistas.

“O 5G é visto como uma evolução tecnológica do 4G, as pessoas percebem que é uma coisa melhor, mas não entendem de verdade que o funcionamento vai ser diferente e vai permitir às empresas fazerem as coisas de forma diferente e não apenas mais depressa”, afirmou a responsável. De acordo com os resultados, 72% dos inquiridos afirmaram conhecer bem as características da nova rede. No entanto, questionados sobre que funcionalidades serão diferentes, o grande destaque foi para a maior velocidade. “As pessoas sabem que o 5G vai trazer mais velocidade, mas outras características como a menor latência quase não aparecem. Só 3% das pessoas é que referiram a baixa latência como uma das características do 5G.”

Embora Portugal ainda não tenha uma rede comercial de 5G disponível, pelo que não foi incluído no estudo, Mafalda Alves Dias acredita que estes resultados deverão ser semelhantes ao que acontece com o tecido empresarial português neste momento.

“Isto reforça o nosso entendimento de que o 5G não vai ser uma revolução imediata, é uma coisa que vai demorar tempo a sua adoção, porque vai levar as empresas a fazerem as coisas de uma forma diferente”, considerou a executiva. “Isso também implica mexerem no modelo de negócio, mexerem na forma como fazem as coisas.”

É algo que se reflete na reação das empresas perante os casos reais de pilotos que já estão em curso com base na nova rede. “Quando se referem não só a velocidade mas trazer novas experiências aos clientes, mudar o modelo de negócio, o networking das máquinas e outros, as pessoas ficam altamente entusiasmadas”, indicou Mafalda Alves Dias. Assim se explica que duas em cada cinco empresas pretendam adotar 5G no curto prazo, embora as questões orçamentais não sejam irrelevantes.

De facto, notou a responsável, o investimento necessário para a migração de 4G para 5G é uma questão transversal, independentemente do país e do sector. “As comunicações são vistas como uma linha de custo nas empresas e isso é uma das grandes diferenças que o 5G vai trazer”, sublinhou. Segundo a diretora, a nova rede não deverá ser considerada um custo mas sim uma linha de receita, porque irá alterar e melhorar o negócio das empresas. “Vai passar da linha da esquerda do balanço para a linha da direita”, ilustrou. “Como as empresas ainda não estão a olhar para o 5G nessa perspetiva, ainda não têm essa perceção.”

O que esperar em Portugal?

Entre as empresas portuguesas (e não só) a tendência é para um desconhecimento generalizado, porque não há uma aplicação direta da rede. “O 5G é uma tecnologia que nos vai ajudar a fazer as coisas de forma diferente, aliada a outras tecnologias como a Internet das Coisas (IoT) e Inteligência Artificial”, afirmou Mafalda Alves Dias. É preciso, argumentou, analisar como introduzir a nova geração para mudar os negócios, não apenas sustentar comunicações. “Esse é o exercício que as empresas andam agora a fazer, a tentar perceber como é que isto serve de uma forma personalizada.”

A ideia é que uma solução feita à medida de cada negócio permita ter abordagens diferentes e até resolver problemas que ainda não foram identificados. “Implica um exercício de criatividade mais intenso.”

Os vários casos internacionais em que a operadora está envolvida são usados como referência para exemplificar junto das empresas portuguesas que é possível fazer, num processo que se distingue de gerações móveis anteriores. “O 5G é uma tecnologia que vai funcionar em conjunto com as outras. A principal diferença é que estamos a trabalhar muito em cocriação, é um trabalho a quatro mãos.”

Em termos de sectores, a Vodafone considera que a saúde é um segmento crítico, em que “o 5G vai trazer um potencial de desenvolvimento gigante” e as soluções criadas para este vertical poderão depois ser aplicadas a outras indústrias.

Exemplo disso é uma solução de rastreamento que está a ser testada agora no Reino Unido. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 25% das vacinas são perdidas antes de chegarem aos médicos por questões de mau acondicionamento. O piloto em curso permite medir com precisão as temperaturas de acondicionamento das vacinas ao longo do seu transporte, da origem ao destino, para tentar evitar essa taxa de perdas.

“Isto é uma solução baseada em 5G mas também com IoT e blockchain”, referiu Mafalda Alves Dias. É uma solução pode ser aplicada ao rastreamento de bens perecíveis, de forma a mitigar o desperdício no retalho alimentar: “Se há um problema num contentor em que a temperatura não é mantida e tudo apodrece, só quando se chega ao destino é que se percebe. Isto tem um custo brutal”, sublinhou a diretora. “Se conseguir fazer o rastreamento de forma imediata, é possível até ter um operador a ir lá reparar a caixa térmica.”

Outro exemplo de aplicação é a inspeção de locais remotos feita por drones ou robôs para evitar custos de deslocação e segurança das pessoas. Há um caso de uso, por exemplo, que recorre a drones nos aeroportos para medir em tempo real o padrão do percurso dos bandos dos pássaros. A Vodafone também está a avaliar o uso de realidade virtual e realidade aumentada no ambiente empresarial, com foco em segmentos como agências de viagens, imobiliário e especialistas remotos.

Com o mercado em estado incipiente, Mafalda Alves Dias reitera que o 5G não virá com o premir do botão de ligar de um dia para o outro. “Vai ser uma evolução que demora tempo”, frisa. “Já conectámos as pessoas e as coisas. Agora é o resto do mundo.”

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