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Empresas portuguesas estão mais atrasadas na adoção de IA

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Elvira González, que lidera o departamento de insights na Vodafone, revelou os dados referentes a Portugal no novo Barómetro de Tendências Globais

As empresas portuguesas estão otimistas quanto à chegada dos sistemas inteligentes ao ambiente de trabalho e acreditam que a inteligência artificial poderá criar novos empregos e melhorar a vida de todos, mas estão atrasadas na sua implementação. Esta é uma das principais conclusões que se retiram dos números revelados pelo Barómetro de Tendências Globais da Vodafone e apresentados por Elvira González, que lidera o departamento de insights do grupo, na Vodafone Business Conference – A Caminho do Futuro.

“Em Portugal, 57% das empresas já dizem que usam IA ou têm planos para o fazer. Mas 33% disseram que não têm quaisquer planos para investir em IA no futuro, e 10% não sabem”, revelou a responsável, na sua apresentação na conferência. Estes dados colocam Portugal 10 pontos abaixo da média das empresas dos outros países incluídos no estudo, o que justifica, segundo Elvira González, à abertura de discussões internas nas organizações portuguesas.

É que os números até mostram um panorama nacional positivo em termos de perceções. “Quando perguntámos às empresas com que estavam mais otimistas quanto ao futuro, indicaram que as tecnologias de IA vão definitivamente transformar a maneira como conduzimos negócios, vão permitir aprender coisas novas e melhorar o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal”, explicou González. De facto, 78% dos inquiridos portugueses disseram que mais automação oferece uma oportunidade para que os trabalhadores tenham mais equilíbrio. “São boas notícias para todos nós”, salientou a responsável.

Esta transformação do trabalho significa, no entanto, que haverá competências digitais que têm de ser adquiridas, uma área onde já se vê escassez a acontecer na Europa. “70% das empresas em Portugal concordam que as competências estão a ficar obsoletas mais rapidamente e isso significa que precisamos de continuar a investir nas nossas pessoas, garantindo que continuam a aprender e a desenvolver-se e podem lidar com a nova era digital em que estamos”, avisou Elvira González.

Nesta mesma linha, há uma série de interrogações que se misturam com otimismo. “No geral, as empresas em Portugal têm uma perspetiva mais ou menos positiva em relação à IA, mas há também um elemento de cautela”, indicou a especialista. 84% das empresas acreditam que os humanos terão de trabalhar lado a lado com sistemas IA e, ao mesmo tempo, 72% dizem que há problemas com a utilização de machine learning e IA no trabalho que ainda não compreendemos. Isto, segundo a executiva do grupo Vodafone, “é algo que está a acontecer em todos os mercados, não apenas Portugal.”

A questão prende-se com a natureza dos avanços. “A velocidade da mudança é tão elevada que isto é difícil para nós, como companhias, manter o nível de conhecimento e perceber como estas soluções nos vão ajudar amanhã”, frisou. “Há um elemento de incerteza sobre como isto nos vai impactar.”

No que toca às questões éticas e à necessidade de regular a governação da inteligência artificial, os empresários portugueses acreditam que a responsabilidade deve recair sobre especialistas na matéria (55%), seguido de entidades reguladoras (45%) e governo (31%).

Esta visão está em linha com o paper publicado pela União Europeia sobre a criação de um guia ético de governação do uso da IA, que foi feito por especialistas.

No final, Elvira González reiterou que a Vodafone tem uma visão otimista em relação à IA, embora consciente dos riscos e problemas que devem ser acautelados. “A IA está a trazer muitos benefícios às nossas empresas”, concluiu, “não apenas em termos de lucros e eficiências, mas também para os clientes e empregados.”

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