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Kriti Sharma: “Jovens de hoje vão fazer trabalhos que ainda não existem”

Kitri Sharma

Mais presente no quotidiano do que se pensa, a IA deve ter as mesmas regras éticas que valorizamos para humanos, considera a responsável.

A vice-presidente de inteligência artificial (IA) da Sage e uma das jovens líderes das Nações Unidas diz que é necessário minimizar os preconceitos das máquinas e preparar o mercado de trabalho para um futuro radicalmente diferente.

Como podemos garantir que a IA irá beneficiar toda a gente e não apenas alguns?
A inteligência artificial é uma tecnologia tão poderosa que já está a ter impacto nas nossas vidas: quando procuramos informações no Google, consumimos notícias online, pedimos direções para um lugar ou quando nos candidatamos a um emprego. A IA está a tomar estas decisões críticas, incluindo se vamos conseguir um empréstimo no banco, quem é selecionado para uma entrevista de emprego e até no sistema de justiça criminal o policiamento preditivo para entender quem está mais em risco. É uma tecnologia tão importante que é crucial assegurar que o impacto e os benefícios são para toda a gente.

De que forma?
Primeiro, garantir que há um grupo diversificado de pessoas a criar a tecnologia, não apenas tecnólogos como eu mas também pessoas que compreendem a sociedade, as leis, a política. Em segundo lugar, quando desenhamos IA temos de pensar na ética desde o princípio. Que valores queremos? Da mesma forma que temos regras para os humanos que trabalham em diferentes áreas, as máquinas devem seguir regras e não ter preconceitos ou ser discriminatórias. Em terceiro lugar, ajudar no futuro dos empregos. Quando chegarem ao mercado, os jovens de hoje vão fazer trabalhos que nem existem ainda. Muitos empregos vão mudar, outros serão criados, e precisamos de garantir que os jovens que vão fazer esses trabalhos do futuro adquirem as capacidades e a formação certas hoje, para que possamos garantir que o impacto da IA na economia e nos empregos será positivo.

Quem deve regular a ética da IA?
Há um debate global sobre se os agentes da indústria devem fazer isso ou se devem ser governos. É uma colaboração com toda a gente, porque estamos nos estágios iniciais de sistemas de IA e há muito para ser aprendido. Há bons exemplos: no Reino Unido, o governo montou um organismo independente, o Centro para a Ética e Inovação dos Dados, que trabalha com legisladores, indústria, governo, tecnólogos, e juntos estão a criar padrões e garantias para cenários em que a tecnologia tenha um tremendo impacto no policiamento, nas finanças, nos recursos humanos. É um bom exemplo de combinação entre indústria e governo, instituições de investigação académica. Talvez seja demasiado cedo para começar a regular.

Poderão as mulheres escalar até ao topo nesta área?
Espero que sim. Estamos no início e muito trabalho tem de ser feito, porque já há uma sub-representação das mulheres na tecnologia e no que toca à IA há menos ainda. Apesar disso, há uma tremenda oportunidade. A diversidade, não apenas de género mas de histórico pessoal, é determinante para a IA, de outra forma esta não terá muita utilidade. Um estudo recente do MIT concluiu que a margem de erro no software de reconhecimento facial é inferior a 1% para homens de pele clara mas mais de 35% para mulheres de pele escura. É preciso trazer muitas pessoas diferentes para criarem soluções que toda a gente possa consumir. Há uma oportunidade para corrigir as coisas. Os algoritmos são bons a encontrar padrões e a processar grandes quantidades de dados, a automatizar tarefas repetitivas. Aquilo em que as máquinas não são boas é a resolver problemas, imaginação, empatia, inteligência emocional. Quando humanos e máquinas trabalharem juntos, veremos muitas das capacidades humanas em destaque e isso abrirá oportunidades para uma diversidade de pessoas.

Como é que as empresas podem preparar-se para o que aí vem?
Investir em talento é a coisa mais importante. Não será necessário criar um exército de cientistas de dados para começar nesta jornada, é muito mais fácil hoje do que alguma vez foi. A primeira forma de pensar nisso é onde é que pode ajudar a resolver problemas na força de trabalho, identificar pessoas dentro da empresas que estão à procura de novas oportunidades. Pensar em IA não como competição com as capacidades humanas, mas como uma solução que pode melhorar a vida, tornar-nos mais eficientes. Reduzir a inércia é importante e garantir que estão a criar IA que representa os valores da empresa e tem uma visão maior do que apenas o que é possível hoje.

Será possível manter a privacidade num futuro conectado?
As empresas mais bem-sucedidas não serão aquelas que nos mantêm colados aos ecrãs e usam os nossos dados, mas as que pensarem na privacidade dos dados desde o princípio, pois terão mais atenção e lealdade dos clientes. Apesar de a IA precisar de muitos dados, há formas de a desenhar com privacidade para que o utilizador receba o valor que merece. É um erro acreditar que privacidade e IA são coisas diferentes. Privacidade é um direito.

Que inovações espera ver nos próximos cinco anos?
Vamos começar a ver IA em todo o lado, mas as pessoas nem vão aperceber-se de que estão a usá-la, pois estará muito embebida na sociedade. Há imenso potencial para usar a IA de modo a tornar as cidades e a sociedade mais sustentáveis e inteligentes, desde o transporte a serviços públicos, negócios. Vejo aplicações da IA a ajudar no combate às alterações climáticas ao reduzir o desperdício, na saúde para dar acesso a serviços a mais pessoas, e sou apaixonada por aplicações na educação e a ajudar pessoas a aprender novas capacidades.

INSCRIÇÕES ABERTAS

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