Web Summit 2018

Twitter vs. Tinder e a responsabilidade da tecnologia na sociedade atual

Sean Rad, fundador do Tinder, na edição de 2015 da Web Summit. Fotografia:  EPA/STR
Sean Rad, fundador do Tinder, na edição de 2015 da Web Summit. Fotografia: EPA/STR

Sean Rad, fundador do Tinder, e Dick Costolo, ex-CEO do Twitter, debateram o ppel atual da tecnologia no palco principal da Web Summit

Twitter ou Tinder? Paddy Cosgrave perguntou à audiência qual das duas plataformas tinha mais impacto na sociedade atual. A resposta foi inconclusiva. Conclusivo foi, contudo, o debate que se seguiu entre Sean Rad e Dick Costolo.

O fundador do Tinder e o ex-CEO do Twitter não têm dúvidas: a tecnologia tem um poder cada vez mais fulcral na sociedade e democracia. “E muito poder traz muita responsabilidade,” sublinhou Sean Rad. “Ainda assim, não nos podemos esquecer o quão recente é este boom tecnológico. Ainda estamos a aprender”.

Foi incontornável falar do Facebook, que passou recentemente pelo escândalo Cambridge Analytica, acusado de não proteger os seus utilizadores de manipulações. Dick Costolo defende que a equipa de Mark Zuckberg deve assumir responsabilidade pelo sucedido, mas lembrou que a tecnologia se desenvolve de forma muito acelerada e, por vezes, é difícil para as empresas acompanhar.

“Antigamente lidávamos com spam, com roubo de passwords e coisas desse género. Hoje há outros problemas, como as fake news. As empresas têm de estar constantemente a adaptar-se. E o Facebook, com dois mil milhões de utilizadores, tem uma enorme responsabilidade,” explicou.

Sean Rad, por seu lado, defende que é difícil saber sempre o que é certo e o que é errado. “Não há um livro de regras que nos explique a melhor forma de atuar. E temos que ter noção que nenhum governo tem, sequer, o impacto do Facebook, com dois mil milhões de utilizadores. É difícil conseguir representar tanta gente”. Dick Costolo deu um exemplo relacionado com o Twitter. “Uma vez retirámos uma foto de terroristas da plataforma, alegando que violava os nossos termos e condições. No dia seguinte essa mesma foto estava na capa de uns quantos jornais”.

A atividade de Donald Trump na plataforma também foi abordada. Costolo recordou Obama. “O Twitter é bom a conectar as pessoas de uma forma imediata, sem filtros. Obama percebeu isso muito cedo, mais cedo que os outros políticos. Trump também o faz, mas diz coisas por vezes diametralmente opostas às que disse anos antes. E na plataforma isso também é percetível.”

Os dois modos de fazer política nas redes sociais levaram-nos a uma conclusão: “Não é responsabilidade das plataformas os problemas da sociedade, mas as plataformas têm, sim, a responsabilidade de não amplificar esses problemas,” sublinhou Dick Costolo, referindo que acredita na boa-fé e transparência do atual CEO do Tinder, Jack Dorsey.

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