Web Summit 2018

Líder da Shell pede mais humildade ao setor tecnológico

Ben van Beurden, CEO Shell
Sam Barnes/Web Summit

O CEO da Shell é dono de um veículo elétrico e aponta várias qualidades à tecnologia, mas pede mais transparência e humildade no setor tecnológico.

O que é que faz o CEO de uma grande petrolífera como a Shell no palco da Web Summit? Vem mostrar que os outros setores, incluindo o tecnológico, podem aprender com os erros dos outros.

Tudo começa com uma pergunta. “Confiam em mim, que trabalho numa empresa petrolífera? E, eu, posso confiar em vocês, que trabalham no setor da tecnologia? Posso confiar-vos os meus dados?”, questiona Ben van Beurden. O líder da Shell reconhece várias qualidades ao setor tecnológico, como uma forma ágil de trabalhar e a capacidade de inovação – tanto que, curiosamente, até é dono de um veículo elétrico – mas refere que é preciso haver transparência nesta questão.

Para Beurden, tudo se resume a uma palavra: confiança. “A minha empresa recebeu uma chamada de atenção muito importante em 2004”, quando alguns dos executivos mentiram relativamente a dados e questões ambientais. “A honestidade é uma coisa muito básica quando se fala de confiança”, reconhece. Vale a pena recordar que, nos últimos tempos, temos assistido, no mundo tecnológico, a vários casos de acesso indevido a dados de utilizadores. Tanto que, nesta Web Summit, nomes como Christopher Wylie, o ‘whistleblower’ da Cambridge Analytica, já pediram mais atenção à regulamentação na tecnologia.

“Até as empresas mais poderosas vão cometer erros. Temos de fazer melhor do que acertar só com os básicos”, pede o CEO da Shell. E reforça outra palavra importante: transparência. Para o CEO, a sociedade tem expetativas crescentes e já não basta que as empresas cumpram apenas com os processos para assegurar conformidade para garantir que têm a confiança dos utilizadores. E espera que este tipo de lição e aprendizagem seja aplicada ao mundo tecnológico, ao qual pede mais humildade.

Em conversa com a jornalista da Bloomberg, Annmarie Hordern, foi questionado sobre o setor tecnológico, que é povoado por nomes que se tornaram milionários e bem-sucedidos na faixa dos vinte anos – uma mudança até aqui. O líder da Shell pede que o setor seja mais “humilde” e que tire lições do setor petrolífero, que também já sofreu duros golpes na confiança.

“Se queremos ser uma empresa do futuro, temos de abraçar a tecnologia”, afirma, mas aponta também que “as pessoas não confiam se só vêem metade do cenário. Não é só publicar números e estar em conformidade – é mesmo preciso fazer as coisas bem. A transparência dá às pessoas toda a informação para perceber se é possível confiar ou não”.

“Mas há coisas que podemos fazer. Pedir desculpa, aprender com aquilo que fizemos mal e melhorar. Ainda fazemos erros, temos de aprender a toda a hora”, apela, pedindo também que é preciso garantir que “os produtos são adequados à sociedade”.

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