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No futuro beberemos cannabis em vez de a fumar

Fotografia: Sam Barnes/ Web Summit via Sportsfile
Fotografia: Sam Barnes/ Web Summit via Sportsfile

Do uso medicional às bebidas do futuro, a cannabis promete ter um grande papel na sociedade dos próximos anos

O mercado é enorme. A cannabis tem-nos sido apresentada quase como as pomadas asiáticas de bálsamo de tigre que servem para tudo. A planta, pelos vistos, também. E isso cria oportunidades de negócio imensas. “Vi este potencial há oito anos e de lá para cá tanta coisa mudou para melhor. Neste momento, já 35 países no mundo inteiro legalizaram a cannabis e isto é só o início. É uma indústria em franco crescimento, acredito que no futuro chegue a valer 250 mil milhões de dólares”, explicou Brendan Kennedy, CEO da Tilray, que não hesitou em afirmar que “se fosse investidor, preferia investir em cannabis do que em companhias aéreas”.

A Tilray nasceu em 2011 no Canadá, país que permite o uso de marijuana tanto para fins medicinais como de forma recreativa. Foi uma das primeiras empresas a obter licença para produzir e distribuir cannabis e isso trouxe-lhe uma mão cheia de investidores e permitiu-lhe diversas avaliações astronómicas. Brendan Kennedy esteve esta quinta-feira na Web Summit a desmistificar o uso da planta, tendo subido duas vezes ao palco, uma no Altice Arena e outra num dos palcos secundários da conferência. De ambas as vezes encontrou lotação completa na plateia.

Leia aqui: Conheça os fundos que apostam em cannabis

Nas últimas semanas, também o México legalizou a cannabis para fins medicinais. O CEO da aposta na Dinamarca ou na Austrália como próximos a mudarem a sua legislação. Quem também está cada vez mais atenta a esta realidade é a indústria farmacêutica. “Eles estão sob pressão para se abrir ao mercado da cannabis porque a planta pode ser um substituto médico em muitas situações. Mas não só. A planta pode também ser um substituto a bebidas alcoólicas, portanto há também muitas empresas do ramo de olhos postos nesta realidade.”

Olhando para o futuro, Brendan Kennedy admite que as pessoas deixarão de fumar marijuana e passarão a bebê-la. Ainda assim, o maior uso da planta será em termos médicos. “A cannabis tem tido resultados incríveis em diversos tratamentos, desde doentes com epilepsia a outros que estejam a passar por quimioterapia devido a cancro e muitos mais”.

De Portugal para a Europa

Inicialmente pensada para ser apenas uma empresa canadiana a operar no Canadá, com a abertura da legislação noutros países, a Tilray começou também a pensar em explorar outras geografias. Naturalmente acabou a olhar para o mercado europeu.

“Pensámos em arranjar uma unidade no sul da Europa, por causa do clima favorável para a planta. Vimos Portugal, Espanha, Itália e Grécia. Acabámos por ficar aqui. O apoio das autoridades portuguesas, como o Infarmed e a AICEP foi fundamental para a nossa decisão”, conta Brendan Kennedy, acrescentando que “Portugal é a nossa porta de entrada para a Europa e ganhará cada vez mais destaque à medida que mais países legalizarem a cannabis. Já investimos 20 milhões cá e vamos querer investir mais.”

A unidade portuguesa da Tilray situa-se em Cantanhede. É lá que a empresa produz a planta e de onde a distribui para outros mercados. Para além do investimento, recentemente a Tilray tinha também 100 empregos disponíveis em Portugal.

 

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