Web Summit 2018

Web Summit. E se usássemos o espaço para fazer negócios?

Estação Espacial Internacional
Fotografia: DR
Estação Espacial Internacional Fotografia: DR

O mercado do espaço é quase tão grande como o próprio espaço em si. As oportunidades espaciais foram a debate num dos palcos secundários da cimeira

Muita calma aos aspirantes a Elon Musk presentes na Web Summit. Não é preciso querem ir já todos para Marte. O conselho é do francês François Chopard, fundador da Starburst Aerospace, uma aceleradora dedicada a startups do espaço. “No início, todas as empresas queriam ir a Marte. Só que ir a Marte é muito complicado. Por isso, a tendência agora é apostar em modelos de negócios, inspirados no espaço, mas que possam trazer valor a quem está na terra”, explicou esta quarta-feira à audiência de um dos palcos secundários da conferência.

Com ele tinha Jim Cantrell, fundador e CEO da Vector Launch, Inc., uma empresa que constrói foguetões, tal como a SpaceX de Musk, só que os faz “mais pequenos, mais viáveis e mais económicos”. E que apostou neste mercado exatamente para ajudar startups a procurarem oportunidades espaciais. “As startups não têm capital suficiente para foguetões de milhões de dólares, é um mercado que precisa de algo mais acessível para conseguir sobreviver.”

Só que nem todos os negócios do espaço têm que estar relacionados com foguetões. Podemos apostar na Internet of Things aplicada ao espaço, na comunicação, na observação, entre outros. Há mais de uma centena de startups já dedicada à observação do espaço, de forma disruptiva, mesmo sendo esta uma área muito conservadora,” conta François Chopard.

Para além de conservadora, é também ainda muito militarizada e dominada, na sua maioria, pelos governos do mundo. Desafios que, com o tempo, serão ultrapassados. “Está a mudar”, indica Jim Cantrel, “vejamos o caso dos satélites. Há imensas empresas que já o fazem.” François Chopard concorda. “Nalguma altura, o espaço terá de ser privatizado. Se alguma companhia privada chegar a Marte primeiro, vai pedir alguns direitos por isso.”

E falando nos satélites, o lixo espacial poderá vir a ser também uma oportunidade a ser explorada. “Existem algumas startups interessadas na limpeza do espaço, mas ainda sem modelo de negócio. O que é preciso existir, neste campo, é legislação para que haja uma responsabilização de quem lança satélites,” sublinha François Chopard.

Vamos mesmo viver no espaço?

Outro tema abordado no palco foi o tempo que demorará até que viver noutro planeta não seja apenas matéria de um filme de ficção científica. “Há uma teoria que aposta que, num futuro próximo, cerca de 10 mil pessoas irão morar no espaço”, indica o fundador da Starburst Aerospace.

O CEO da Vector Launch, Inc. admite essa realidade, mas recorda que, para tl, serão necessárias mudanças dramáticas nas sociedades atuais. “As pessoas têm de ser mais autosuficientes se nos queremos tornar numa civilização espacial. Há muita coisa a mudar e adaptar.” Mas vai acontecer? “Claro! A exploração está no nosso ADN. Não de todos. Eu, por exemplo, nunca irei. Mas muitos irão, sim.”

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