Tecnologia

Evento irmão da Web Summit testa edição online e inclui 60 startups portuguesas

Collision
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Collision from Home é a primeira conferência online da empresa que gere a Web Summit e começa esta terça-feira com os habituais milhares de participantes, oradores das grandes tecnológicas (e o diretor da Organização Mundial da Saúde) e 60 startups nacionais. Tudo de forma remota, por causa da pandemia.

Estava previsto decorrer pelo segundo ano consecutivo em Toronto, mas ainda no início de março foi anunciado que seria, pela primeira vez, um evento totalmente online – ou seja, não haverá nada presencial no Canadá.

O Collision, nesta edição com o nome Collision From Home, pertence à Web Summit, é a versão da América do Norte do evento liderado por Paddy Cosgrave e decorre entre 23 e 25 de junho num formato que a organização diz ser inovador que mistura app móvel própria em conjunto com uma web app (pelo próprio navegador) no computador. O objetivo? Poder criar uma experiência bem mais próxima de uma conferência presencial, onde o networking e os encontros ao acaso entre pessoas é possível. “Queremos uma conferência online que é muito mais do que ver uma conversa por Zoom”, explicou recentemente Cosgrave.

O líder da Web Summit admitiu esta segunda-feira que já são 30.600 os inscritos na conferência online (450 oradores), bem mais do que os 25.711 que estiverem presencialmente no Canadá o ano passado. No entanto, Cosgrave admite que se trata de um público diferente que mais não seja pelo preço dos bilhetes – a média ronda os 100 euros, contra valores acima dos 500 num evento normal presencial.

O irlandês admite mesmo estar curioso para ver os padrões do público daquela que será a sua primeira conferência online. “Será que irão todos a correr para a primeira conferência? Será que vão passar mais tempo online do que offline durante a conferência? E qual será a taxa de cancelamentos?”

Sem constrangimentos de espaço, por um lado, a Collision permite ter participantes de qualquer parte do mundo e sem restrições de viagens ou alojamento. Do cardápio de oradores num evento tecnológico com especial atenção para a área da saúde e dos media, em plena pandemia, destaque para Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde. O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, também estará presente, bem responsáveis da empresas como Slack, Microsoft, Facebook, Netflix e Google. Nas figuras menos tecnológicas, marcam presença personalidades como Margaret Atwood (escritora), Steve Aoki (DJ e produtor musical) e Shaquille O’Neal (ex-jogador da NBA). A lista completa está por aqui.

O evento irá manter mesmo online uma área de exposição, com stands, facilitada pela plataforma que irá usar. Será nesse contexto, bem como nas oportunidades de networking entre startups e investidores disponibilizadas pela tecnologia usada, que as 60 startups portuguesas integradas na delegação da Startup Portugal vão poder participar. Tratam-se de projetos feitos a nível nacional em áreas como inteligência artificial, educação, recursos humanos, energia e ambiente, marketing de conteúdo, entre outras.

O ano passado foram só 25 as startups portuguesas e o facto de ser tudo feito de forma remota, mesmo o contacto com possíveis investidores, será um desafio de sucesso ainda por comprovar após o evento.

Web Summit será presencial ou híbrida

A semana passada ficou a saber-se que o Governo e a Câmara de Lisboa deram o aval para que a Web Summit seja presencial em novembro em Lisboa. No entanto, ainda há muitas questões por responder e Paddy Cosgrave já chegou a admitir uma solução híbrida, com uma parte presencial e outra online para o seu principal evento.

Habituado aos 70 mil participantes da Web Summit em Lisboa – a empresa de Cosgrave consegue reunir perto de 130 mil pessoas todos os anos divididos pelos seus três eventos -, o irlandês admitiu no início do mês que esse número parece nesta altura uma miragem para um evento presencial e já alertou a sua equipa que, muito provavelmente, a normalidade não acontecerá antes do final do ano de 2021.

“Estamos bem preparados para uma conferência online até porque desenvolvemos o nosso próprio software desde o início e esse é um dos nosso maiores focos na organização da conferência, ao concentrarmos muitas coisas na nossa app”, disse.

A Collision from Home será assim o primeiro grande teste ao novo modelo que, acima de tudo, vai acrescentar o vídeo e mais algumas funcionalidades à app já existente. “Estamos entusiasmados e a testar os sistemas e esperemos que hajam poucos bugs porque, numa conferência online não ter acesso à app por uns minutos faz toda a diferença”.

Uma esperança chamada Hopin

Tal como já noticiámos, no início do ano a Web Summit investiu numa startup sediada em Londres focada precisamente em conferências online, a Hopin. Cosgrave admite grande esperança na tecnologia da Hopin, associada ao trabalho de software da sua equipa. “Mais do que assistir a uma ou outra conferência, um evento como o nosso tem tudo a ver com o networking, a interação entre pessoas que vão fazer a diferença no nosso futuro. O nosso software já é bom a ligar pessoas usando algoritmos, seja investidores e startups ou jornalistas e pessoas de interesse, etc”.

Daí que Cosgrave admita que “criar uma experiência online que não tem nada a ver com as conferências por Zoom que se veem por aí”: “é o networking que faz toda a diferença”. Mesmo admitindo que as conferências no modo presencial não vão acabar e “será sempre importante haver contacto humano, cara a cara”, há formas da tecnologia ajudar.

A solução para a Collision from Home, que Cosgrave vai testar agora, inclui zonas para networking entre pessoas – cada uma pode até criar a sua própria sala -, além de poder haver inclusive interação entre o público, mesmo aquele que assiste em direto às conferências com os oradores no palco virtual. Isto além de stands virtuais para parceiros – com uma área específica – e de outras surpresas que a sua equipa está a preparar.

Sobre a sustentação do seu negócio em muito afetado pela pandemia – já que o lado presencial dos eventos fica sem efeito -, Paddy Cosgrave admite que os bilhetes de um evento online têm um valor bem mais baixo e há um impacto “enorme” ainda difícil de calcular pela transição. No caso do Collision from Home os bilhetes rondam os 100 euros, contra o valor cima dos €500 normal num evento presencial e ainda há a questão dos stands e patrocinadores.

E de onde vem a Hopin?

A Hopin foi fundada pelo engenheiro inglês Johnny Boufarhat, precisamente por se sentir frustrado pela falta de ferramentas para colaborar e fazer networking com grupos maiores de forma remota. A própria equipa da startup trabalha a partir de casa e usa a plataforma criada para colaborar.

“Queremos garantir que todos experienciem os grandes benefícios dos eventos online, inclusive encontrar alguém inesperado entre sessões, encontrar um potencial cliente no stand de um negócio ou ter uma dica preciosa de um orador de um painel”, explica Boufarhat num comunicado de fevereiro da Hopin que revela o novo investimento que inclui participação da dona da Web Summit.

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