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Fintech. “Grandes bancos vão copiar tudo o que fazemos daqui a dois anos”

Web Summit, Anne Boden
Foto: Harry Murphy/Web Summit via Sportsfile

A conversa sobre o mundo das fintech contou com a presença da Revolut, da Starling Bank e ainda da Plaid, que ajuda estas empresas a desenvolverem-se

“O dinheiro não está morto, claro. A premissa não é verdadeira”, garante Zach Perret, da Plaid, empresa que colabora com várias fintech, um pouco por toda a Europa e América. Numa conversa que quis perceber se o dinheiro está ou não em vias de extinção, o responsável da Plaid reconhece que ainda há quem não esteja convertido a este mundo que junta a área financeira ao mundo da tecnologia. “Vemos um número crescente de pessoas a virar-se para as fintech, mas há quem ainda não esteja completamente convertido”. Ainda assim, Zach Perret indica que esta viragem no mundo financeiro ainda está no início.

Anne Boden criou uma das fintech britânicas mais conhecidas, a Starling Bank. Tudo porque, enquanto trabalhava no setor de banca tradicional, não conseguiu “mudar as coisas a partir de dentro da estrutura” e encontrava espaço para melhorias. “Cheguei à conclusão de que o sistema antigo está estragado. Não conseguia mudar as coisas, portanto despedi-me para criar um novo banco”.

“Os grandes bancos vão copiar tudo aquilo que estamos a fazer dentro de dois anos, mas a questão é que os bancos estão atrasados dois anos”, sublinha Anne Boden, que indica que não basta apenas copiar as funcionalidades das fintech. Além disso, explica que “não se trata de uma batalha pela inovação”, mas sim de “uma batalha pelo custo base.” Para a criadora do Starling Bank, esta batalha implicará ainda decisões difíceis para os grandes bancos: “não vão conseguir acompanhar, vão ter de focar-se em determinadas linhas de negócio, ou na distribuição, e vão ter de fazer escolhas e aí é que teremos uma reconfiguração da indústria da banca tradicional”.

O responsável da Plaid, habituado ao contacto com várias fintech de toda a Europa, aponta que as ordens de custo tornam difícil para a banca tradicional competir com as novas opções de banca tecnológica. “Vais a um banco e está lá alguém para te receber”, exemplifica, para mostrar custos que as fintech não têm. “É por este tipo de situações que as fintech conseguem surgir rapidamente e ser altamente rentáveis.”

Tanto Anne Boden como Nikolay Storonsky, criador do banco digital Revolut, estão de acordo num ponto: é importante que as fintech mantenham um certo grau de independência em relação aos grandes bancos para se ser uma fintech com uma operação de sucesso.

Para os intervenientes é, neste momento, o Reino Unido que lidera no campeonato das fintech. “Tudo porque o regulador no Reino Unido viu a oportunidade”, aponta Anne Boden.

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