Web Summit 2019

Inovação dita sucesso no mundo empresarial

Pavilhão da KPMG, no segundo dia da Web Summit 2019. O evento tecnológico vai decorrer no Parque das Nações até 7 de novembro.
(Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)
Pavilhão da KPMG, no segundo dia da Web Summit 2019. O evento tecnológico vai decorrer no Parque das Nações até 7 de novembro. (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

A KPMG foi a anfitriã do Coporate Innovation Summit - um palco onde várias empresas partilharam as suas estratégias de inovação.

Num ecossistema em constante mutação as grandes empresas debatem-se diariamente com desafios que podem significar o sucesso ou o fim de uma história com mais de cem anos. Uma realidade acompanhada a par e passo no palco da Corporate Innovation Summit onde, ao longo do dia, foram apresentados exemplos de como a transição para novos modelos de negócio e a aposta na tecnologia esteve na base do sucesso de empresas como a alemã Kuehne e Nagel ou ajudou a centenária Avon a escapar a uma morte (que parecia) anunciada.

Diogo Elói de Sousa, partner de consultoria da KPMG e responsável pelas áreas corporate e setor público da empresa, anfitrião da sessão da manhã, foi claro ao identificar as cinco tecnologias de caráter disruptivo que são tendência hoje, as quais são o resultado do trabalho de um observatório da KPMG destinado a monitorar constantemente o modo como as novas tecnologias estão a ter impacto no mundo empresarial.

“É algo que nos é útil, nomeadamente para apresentarmos novas soluções aos nossos clientes”, afirma o responsável. De acordo com o observatório da KPMG, as cinco tecnologias que marcam tendência no momento são: tudo o que está relacionado com a análise e processamento de Dados; Inteligência Artificial, Machine Learning, Virtual Reality e Augmented Reality – que podem ou não aparecer em conjunto -; 5G e IoT – que, de acordo estão a registar um avanço mais rápido do que o inicialmente esperado -; e, por fim, blockchain e quantum computing.

“No caso do blockchain e do Quantum Computing o impacto deve começar a surgir dentro de dois a três anos, já que ambas ainda estão numa fase de testes, com muitas iniciativas ainda a falhar, o que é normal”, afirma Diogo Elói de Sousa, que se revela agradavelmente surpreendido com o facto de muitas empresas participantes no painel da manhã referirem já o blockchain ao falar de estratégias de inovação. Já no que diz respeito ao quantum computing, as expectativas são elevadas. “Será talvez a tecnologia que mais impacto vai gerar pelo aumento exponencial da capacidade de processamento que vai trazer e que vai ter impacto nas outras tecnologias”, assume o partner da KPMG.

No que diz respeito à Inteligência Artificial, Jeff Wong, global chief innovation officer da EY, responsável por um dos painéis, defendeu que é uma tecnologia “à prova de recessão”, dada a sua capacidade de melhorar os processos de negócio, aumentar o crescimento de forma quase automática e criar eficiência.

Entre as diferentes empresas que passaram pelo palco da Corporate Innovation Summit empresas de diferentes nacionalidades, dimensões e setores, a transportadora alemã Kuehne e Nagel é, para Diogo Elói de Sousa, a que melhor ilustra a aplicação das cinco tecnologias acima referidas. “Está numa fase muito avançada de transformação em que já tem uma plataforma em que faz a interligação com as diferentes tecnologias, componentes e módulos que permitem aplicar IA ML e outras soluções para melhoria dos seus processos”, afirma.

Outro dos casos em análise foi a empresa de cosméticos Avon que, com uma história de 130 anos e cinco milhões de representantes por todo o mundo, corria o risco de morrer, depois de uma brutal quebra de resultados – e consequente depreciação das ações – na última década. “Há 18 meses compreendemos que era necessária uma nova abordagem ao negócio”, explica Benedetto Conversano, que destaca a aposta na digitalização da empresa. Com esta mudança o pior foi evitado: as ações voltaram a subir e a Avon regista hoje um crescimento anual de 80% nas vendas online.

“São cinco milhões de agentes que a empresa precisa de pôr a trabalhar de maneira diferente. É metade do nosso país! Estas pessoas têm que alterar as suas formas de trabalho para se tornarem também elas mais eficientes, utilizando formas digitais”, afirma Diogo Elói de Sousa que acredita que, na demografia destes cinco milhões de pessoas, coexistam “velhos do Restelo” e pessoas mais predispostas a adotar novas tecnologias.

A resistência à mudança é, aliás, um dos principais desafios que as empresas necessitam de vencer ao porem em prática novos modelos de inovação. “O nosso papel acaba por ser ajudar as organizações a dar a volta a essas resistências. Seja trazendo nova tecnologia –e aí mais uma vez o talento português vem ao de cima, já que temos centros de excelência em Portugal, que são referências dentro da KPMG e juntos dos clientes corporate – seja através do trabalho sobre aspetos mais culturais”, explica Diogo Elói de Sousa.

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