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Sound Particles. De Leiria para a meca do cinema

Nuno Fonseca, CEO da Sound Particles, durante o segundo dia da Web Summit 2019. Foto: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens
Nuno Fonseca, CEO da Sound Particles, durante o segundo dia da Web Summit 2019. Foto: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

A Sound Particles reconhece que neste momento não tem concorrência direta e, por isso, a chegada a Los Angels estará para breve.

Ao longo das várias temporadas, a Guerra dos Tronos mostrou como famílias rivais se enfrentam para conseguirem o mesmo objetivo: o almejado trono. No filme a Maléfica, que estreou recentemente, a trama envolve os laços familiares. Em comum, as duas produções têm algo: na sua produção foi usado software de áudio 3D da startup portuguesa Sound Particles.

Nuno Fonseca é engenheiro e antigo professor universitário. Ao longo da sua carreira, percebeu que os efeitos visuais mais interessantes usados no cinema socorriam-se de algo chamado sistema de partículas – uma técnica usada em computação gráfica que permite que sejam criados milhões de pequenos pontos para simular fogo, chuva, tempestades de areia, pó, fumo e explosões. Decidiu aplicar o mesmo método ao som e assim nasceu a Sound Particles em 2016.

Depois de terem fechado uma ronda de financiamento com a portuguesa Indico Capital Partners no início deste ano, e, posteriormente, um SME Instrument, da União Europeia, no valor de 1,2 milhões de euros, a empresa prepara-se agora para voos mais altos. Com uma equipa de 16 pessoas – 15 em Leiria onde está instalada e uma em Londres – a Sound Particles quer estar mais próxima da Meca da indústria cinematográfica e abrir um escritório em Los Angels no próximo ano.

“Continuamos a trabalhar muito com cinema e televisão, mas cada vez mais com a área dos videojogos, que utiliza o nosso software para criar os sons. Agora, estamos a trabalhar na criação de uma versão interativa do nosso software para correr em cima do próprio videojogo. Dessa forma, tornar o videojogo mais interessante. E o desafio mais à frente é trazer o Sound Particles para o mundo da música em que achamos que vai ser uma aplicação muito interessante da nossa tecnologia”, diz ao Dinheiro Vivo, Nuno Fonseca, CEO.

A startup não intervêm diretamente na produção áudio dos filmes ou séries. O que faz é vender licenças para a utilização do software. O responsável prefere não dizer quantas já foram vendidas, mas garante que já ultrapassa a centena e que a procura por esta solução é grande.

“Tipicamente, acabamos por vender as licenças e muitas vezes o que acontece é que não percebemos a quem é que estamos a vender. É interessante porque à medida que as coisas vão avançando, acabamos por perceber onde está a ser usado”, diz.

Em cima da mesa para os próximos meses está também uma nova vertente desta tecnologia. Queremos “trazer o Sound Particles para o mundo da música. Achamos que vai ser uma aplicação muito interessante da nossa tecnologia” isto porque “cada vez mais, os artistas estão a explorar o som 3D. A ideia é o SoundParticles poder ser uma ferramenta criativa para os próprios músicos criarem som logo em 3D. Ou seja, não é algo que mais tarde seja adicionado”.

Para já, a empresa não está ativamente à procura de investimento para a nova fase da empresa. Contudo, Nuno Fonseca não esconde que “é algo que está em cima da mesa, inclusivamente, estamos a ser aliciados por alguns dos players mundiais que poderão estar interessados em entrar como investidores na Sound Particles”.

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