Web Summit

“Web Summit presencial é uma decisão do governo português”, diz Cosgrave

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Web Summit 2018 ( Seb Daly/Web Summit via Sportsfile)

Paddy Cosgrave deixa nas mãos do governo uma Web Summit 2020 em Lisboa presencial ou online. Collision from Home, no final do mês, é o primeiro teste.

Paddy Cosgrave, o CEO e fundador da Web Summit, admitiu numa entrevista ao podcast norte-americano Recode Media – do jornalista Peter Kafka -, que a decisão da Web Summit 2020 de Lisboa ser ou não presencial “é do governo português”.

Depois de ter adiado para 2021 a conferência Rise, em Hong Kong, e de ter anunciado no início de março que a Collision, prevista para Toronto no final de junho, será totalmente online em 2020 – passa a chamar-se Collision from Home e conta com a participação de algumas startups nacionais e até membros do governo português -, restam dúvidas sobre a Web Summit. Certo é que em abril mantinha-se a intenção de manter o evento presencial.

“No caso da Web Summit, em Lisboa, temos um compromisso com o Estado português e será o governo a decidir se será ou não presencial”. Cosgrave admite que esse facto deve-se ao investimento de Portugal no evento – 11 milhões de euros por ano, num acordo assinado em 2018 para mais 10 anos. No entanto, Paddy Cosgrave garante que a sua empresa está preparada para tornar a Web Summit num evento online, deixando mesmo no ‘ar’ a possibilidade de uma versão híbrida: “o que posso garantir é que vai haver Web Summit 2020”.

Neste contexto, admite que é impossível saber nesta altura quais serão as recomendações das autoridades de saúde em outubro ou novembro e dá o exemplo de alguns países europeus, que já começam a desconfinar, da Dinamarca à Alemanha. Cosgrave dá mesmo o exemplo da IFA, a maior feira de tecnologia de consumo europeia e uma das mais relevantes a nível mundial. Vai decorrer em Berlim em setembro e manter o formato presencial, embora limitado a mil pessoas por dia e com mais aposta em modelos online.

Se fosse hoje, a Web Summit não poderia decorrer de forma presencial em Portugal. Os festivais de verão estão proibidos nesta altura e o maior evento até à data foi já esta semana, teve lugares marcados e levou duas mil pessoas ao espetáculo de Bruno Nogueira no Campo Pequeno. No futebol e para já, os jogos também decorrem sem público e há limitação de aglomerações de pessoas – 10 na zona de Lisboa e 20 no resto do país.

Habituado aos 70 mil participantes da Web Summit em Lisboa – a empresa de Cosgrave consegue reunir perto de 130 mil pessoas todos os anos divididos pelos seus três eventos -, o irlandês admite a Peter Kafka que esse número parece nesta altura uma miragem para um evento presencial e já alertou a sua equipa que, muito provavelmente, a normalidade não acontecerá antes do final do ano de 2021.

“Estamos bem preparados para uma conferência online até porque desenvolvemos o nosso próprio software desde o início e esse é um dos nosso maiores focos na organização da conferência, ao concentrarmos muitas coisas na nossa app”, disse.

A Collision from Home, que decorre de forma totalmente online entre 23 e 25 de junho, será assim o primeiro grande teste ao novo modelo que, acima de tudo, vai acrescentar o vídeo e mais algumas funcionalidades à app já existente. “Estamos entusiasmados e a testar os sistemas e esperemos que hajam poucos bugs porque, numa conferência online não ter acesso à app por uns minutos faz toda a diferença”.

Uma esperança chamada Hopin

Tal como já noticiámos, no início do ano a Web Summit investiu numa startup sediada em Londres focada precisamente em conferências online, a Hopin. Cosgrave admite grande esperança na tecnologia da Hopin, associada ao trabalho de software da sua equipa. “Mais do que assistir a uma ou outra conferência, um evento como o nosso tem tudo a ver com o networking, a interação entre pessoas que vão fazer a diferença no nosso futuro. O nosso software já é bom a ligar pessoas usando algoritmos, seja investidores e startups ou jornalistas e pessoas de interesse, etc”.

Daí que Cosgrave admita que “criar uma experiência online que não tem nada a ver com as conferências por Zoom que se veem por aí”: “é o networking que faz toda a diferença”. Mesmo admitindo que as conferências no modo presencial não vão acabar e “será sempre importante haver contacto humano, cara a cara”, há formas da tecnologia ajudar.

A solução para a Collision from Home, que Cosgrave já começou a testar esta sexta-feira com a sua equipa, vai incluir zonas para networking entre pessoas – cada uma pode até criar a sua própria sala -, além de poder haver inclusive interação entre o público, mesmo aquele que assiste em direto às conferências com os oradores no palco virtual. Isto além de stands virtuais para parceiros – com uma área específica – e de outras surpresas que a sua equipa está a preparar.

A experiência que a tal startup Hopin permite criar foi bem patente na conferência que decorreu esta semana sobre realidade virtual e aumentada – a sua plataforma foi a usada (via browser). A VR/AR Global Summit incluía além de uma zona da conferências, com horários, salas virtuais chamadas de speed dating onde era possível contactar outro participante ao acaso por video chamada – foram 50 mil os inscritos. Também tinha uma área de exposição com stands virtuais.

Sobre a sustentação do seu negócio em muito afetado pela pandemia – já que o lado presencial dos eventos fica sem efeito -, Paddy Cosgrave admite que os bilhetes de um evento online têm um valor bem mais baixo e há um impacto “enorme” ainda difícil de calcular pela transição. No caso do Collision from Home os bilhetes rondam os 100 euros, contra o valor cima dos €500 normal num evento presencial e ainda há a questão dos stands e patrocinadores. Nos últimos dois dias, no entanto, mostrou satisfação por ter vendido mais de dois mil bilhetes.

Sem entrar em pormenores, Cosgrave admite que poderá é haver uma escala maior, ainda com mais participantes, num evento online. E aproveitou para admitir que a Web Summit de 2019 só não teve mais do que 70 mil participantes porque os responsáveis da FIL ainda não tinham conseguido duplicar a área do centro de congressos, como era o seu desejo.

E de onde vem a Hopin?

A Hopin foi fundada pelo engenheiro inglês Johnny Boufarhat, precisamente por se sentir frustrado pela falta de ferramentas para colaborar e fazer networking com grupos maiores de forma remota. A própria equipa da startup trabalha a partir de casa e usa a plataforma criada para colaborar.

“Queremos garantir que todos experienciem os grandes benefícios dos eventos online, inclusive encontrar alguém inesperado entre sessões, encontrar um potencial cliente no stand de um negócio ou ter uma dica preciosa de um orador de um painel”, explica Boufarhat num comunicado de fevereiro da Hopin que revela o novo investimento que inclui participação da dona da Web Summit.

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